7 de março de 2013
Inverno na Beira
Está de luto o céu da Beira...
O casario, acinzentou-se...
As árvores nuas, tremem de frio...
O termómetro insiste em descer...
A luz dos candeeiros, é de um amarelo roçando o triste...
Da Serra da Lapa, correm as névoas lancheiras, adivinhando, tailhões d'água... trovoadas...
O vento assobia pelas chaminés!
Só falta o "estrondo do mar"!
Que venha essa prima, que é "Vera"...!!!!
Que Março corre na folha do calendário, pendurado na parede da cozinha...
E os meus olhos querem sol!...
Agradecia, "S. Pedro"!
Bem-haja! Obrigadinha!
Um raiozinho, que seja, e me alegre a "moradia"!
5 de março de 2013
A palavra "Ilhéu"!
Do branco mais branco,
Que enreda a onda,
Que envolve e molha...
Do toque salgado,
Que abraça as rochas,
E refresca o rosto...
Por dentro de mim,
Abrem-se braços,
De longas mãos, esguias, largas,
Abertas... Fechadas...
Que em concha cedo,
Me transformaram...
Perdida, encontrada,
Num bater de vaga...
No pé, na pegada,
Da areia negra, rasa, molhada...
Que sou "gente das ilhas"...
De outros lugares,
Saberes, sabores,
Sentires, odores...
E em serranias me achei encontrada...
Que dum horizonte,
Dia após dia, nascido na água...
Fui-me fazendo... meio peixe… meio ave
Ou semente de fruto
Que à vida se abre...
Porque ilhéus são gente que nasceu resistente!
Coração dividido, entre céu e mar,
Transbordando de tudo, que "dá p'ra pensar"
E é desta harmonia,
Que a palavra: Ilhéu... É só poesia!
Mizé
(Para um Ilhéu-Terceirense, que hoje faria 99 anos, de nome Francisco... A quem agradeço o que sou e o ter-me dito: Escreve! Escreve!)
12 de janeiro de 2013
Chuva
O dia amanheceu a chorar...
Não sei porque chora...
Mas é um choro, cor de chumbo...
Como os dia na ilha,
Que nos sufoca, o ar que se abate,
O peso do céu, por cima de nós...
O longe ficando mais longe...
Transportando por dentro um gosto de solidão,
Desoladamente...
Embrulho-me neste xaile, de palavras,
Deixando só que saiam sentidas,
D'um lugar dentro de mim,
Que não tem nome que se escreve,
Chora este céu!
Um choro perdido...
Derretendo a neve...
O encanto da branquidão...
Enquanto por dentro, deixo transmudar-se,
Em ampulheta o meu coração...
As horas contam-se...
Por vezes pequenas...
Por vezes grandes...
Ou são ondas largas...
Ou contas contadas...
E a casa da vida...
Roda no ar...
E deixo que o choro,
Deste céu que chora,
Encontre em mim,
O seu lugar
E o que em mim é ave ou asa...
Tornou-se... saudade... lágrima...
Casa!!!
London, ON
10 de janeiro de 2013
A teia que me amarra...
Mais um braço de teia que se estende... se desprende...
Me desamarra e amarra...
E o fio da teia é luz... que ilumina e me ata e desata...
Mais um dia, que se faz menos e mais...
E entorta o sentir... que a saudade...
É como asa... borboleta... gaivota... ou pardal...
E na teia que me prende... vou criando laços...
Que solto e ato...
Porque viver... como pássaro... ou ave... ou "coisa que voa"...
É demais!!!!
(Solto a corrente do tempo, que no meu peito ecoa!)
31 de dezembro de 2012
Passou mais um ano...
O dia fica curto... o céu vai escurecendo... as horas passam rápidas na ampulheta do tempo...
E quando nos damos conta... "passou um ano"!!!
Passou... deixou "coisas boas, outras assim-assim", mas por certo, houve neste ano um dia... uma hora, que vale a pena lembrar como um dos melhores dias da vida...
Por vezes, esquecemos "isso"... um gesto... uma palavra… uma mão amiga... um abraço... uma lágrima... uma saudade...
Foi um ano difícil...? Foi!
Mas trouxe-me amizades mais fortes...
Mostrou-me os amigos, que me viram quando eu "estava invisível"... E ensinou-me muitas coisas...
Trouxe-me "prendas", que só se têm uma vez na vida...
Somando tudo... vale sempre a pena... quando "a alma não é pequena", e se acredita que a "vontade", faz milagres.
Um abraço, a todos os "que estiveram comigo"...
Feliz 2013!
30 de dezembro de 2012
Feliz ano novo
Um dia branco... mais branco, que a brancura de ontem...
Lá fora a colcha alva, reveste a natureza...
Bom fim de ano...
Com sol... ou chuva... ou neve...
Mas que caibam nele... todos os sorrisos por sorrir...
Todas as madrugadas esperadas...
Todas as noites aconchegadas...
Que se soltem os abraços...
E se renovem esperanças...
Azuis... vermelhas... ou brancas...
Que caibam os corações,
Que não sabem de tamanhos...
No lugar da alma... volita-me um mar no peito!
E sou esta assim... estranha... alegre e triste... destemida,
Uma simples, mulher da ilha!
Na onda de renda de espuma... deixo o ano que passou...
Feliz ano que chegou!
29 de dezembro de 2012
O Branco...
29 de Dezembro...
A neve cai abundantemente...
Nada mais branco, que este branco...
A não ser o branco que por vezes, nos habita o coração...
Alguns dizem que é preto...
Mas acho que é branco... embora belo…, desolador!
Fico-me com esta cor que tem movimento, sentir e cheiro...
Fico-me, com este branco... que é vazio... e também dói...
Nas horas vestidas de branco... há uma tremenda solidão...
Não por falta de pessoas... mas por falta de lembranças... palavras...
E vou-me habituando ao branco!
Bom ano!
Com tudo o que faz a vida ser, e valer a pena!
Abraço!
Sempre fui "um ser estranho!...”
22 de dezembro de 2012
Presépio da Beira Alta...
Aqui está o meu presépio, na Beira Alta....
Que me desculpe, Sua Santidade, mas "todos somos filhos de Deus"...
Se S. Francisco de Assis existiu... mais Santo António, e o seu celebre "Sermão aos peixes", porque "carga d'água", ia eu "expulsar do estábulo", uma vaquinha e um burrinho...
Convenhamos, Sua Santidade, que estes dois, nada têm a ver com a mensagem que o espírito de Natal Cristão, pretende....
E ainda, por cima.... nem serrados, nem pastagens, tenho...
Mas arrumá-los na gaveta?????
Temos pena!
Mas a minha vaquinha e o meu burrinho, é que não!!!!!
(Fiquem bem, lá p'ró Vaticano!)
Corrigindo... "o meu presépio", não!
Como diria a Ti Jerónima:
-Mê e de mê Manel… inda por riba, de ambos dois...
Era o que mais faltava, agente agora botar fora, a nossa vaquinha a mais o nosso burrinho...!
As tantas, "inda expulsam o galo, da Missa da Meia-Noite"....
Se calhar nem o galo, cantou a São Pedro...
Isto é que vai uma crise!!!
20 de novembro de 2012
"Ser criança"
É bom ser criança... saltar... correr...
Coração ao leu... riso no peito...
Mãos que ondulam...
Fazer de conta... e cantar...
Aquela aranha pendurada,
É uma estrela dourada...
No bicho de conta que conta...
Tem um fio que desponta...
A lua e o sol n'outra ponta...
Se não se lhe ensina... não mente...
Uma pedrinha a faz contente...
Ser criança... é fácil...
É ter livre o pensamento,
Ser-se criança... É “por dentro"!
Para a minha neta
(Que me faz ser criança, muitas vezes!)
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