11 de outubro de 2012

Dias...!


Os dias são lentos, como o remoer das marés, encostadas à casa do tempo...
Os dias são pedaços de nós, perdidos ou achados por aí...
Os dias são soluços, engolidos... sorrisos encontrados de esperanças...
Os dias levantam-se e adormecem, por dentro de nós...
Não importando se faz frio... ou se está sol...
Os dias, são páginas dum livro que nunca escrevemos... por serem tão dias... tão horas... por serem a procura inconsciente (ou não...), do que em nós se passeia, nos constrói, ou nos destrói!
Vou apontando os dias no meu relógio de sol, que habita por dentro de todas as minhas lutas!
Um dia talvez...
Um dia, os dias tenham direito a páginas que se possam saborear, como um gomo de laranja... uma gota que no rosto desliza...
Mas que valeu a pena ser vivida!

(Mizé - London)



4 de outubro de 2012

Francisco...


Hoje é dia de S. Francisco!

Deixo aqui uma lágrima perdida... uma saudade demorada, Um coração agradecido...
Por quem não nasceu neste dia, mas era assim que se chamava: Francisco!
Francisco foi o meu pai... o meu melhor amigo...
"Dentro daqueles “alvarozes”, com desperdícios, a sair dos bolsos... caixa da ferramenta... Ar alegre jovial... um coração do tamanho dele...
"Na lágrima que se vertia quando ouvia uma Orquestra...
E se lembrava do seu saxofone Barítono, era assim, meu pai...
Um Ilheu-Terceirense, "ferrenho" até ao "tutano"!

Obrigada, por me deixares de herança, a pessoa que sou...

Contigo aprendi a ser "esta", mulher cheia de coragem para enfrentar a vida... sem perder a alegria, nem o sentido de humor...
Não sei onde estás...

Mas sou feliz por te ter tido como pai!

(A tua Mize, por "Terras do Canada"!)

1 de outubro de 2012

Braços e abraços


Os laços que a vida tem...
Os laços que prendem a vida...
A vida que prende os laços...
Que são braços e abraços...
Que são nós... atados, desatados...
E são fitas, ora brancas... ora pretas... coloridas...
São os laços que te prendem, e são as raízes da vida...
Tenho laços e abraços,
Soltos ai, pelo espaço...
Que volitam... que volitam...

Mas os laços que são abraços e braços...
São saudades... idas... vindas... chegadas e despedidas...
E me mostram... a cada nó destes laços...
Quem pela estrada partilha a minha dor... ou ferida...
E num sorriso... ou palavra... me renova e me dá vida!
São só laços ou abraços... saudade... ou despedida...
Mas somos nós a rodar a constante roda da vida!





28 de setembro de 2012

Tomara que os dias me dêem tempo...


Dias, que são só dias, dias que contém dias...
Dias que são só horas... ou minutos contados como séculos...
Que são dias? Que são horas?
Horas contadas com minutos que são tempos infindos...
Tempos infindos, contados como horas....
Horas intermináveis... como desertos de areia ou espuma…
Que se desfazem... e fazem...
Que construo como aranha paciente...
À qual desfazem a teia...
Mas não o seu propósito...
Dias... são casas onde habitam e moram...
Os sonhos desencontrados,
As lágrimas... desembrulhadas,
A força de uma onda,
A asa leve de um pássaro,
E eu sou só da família das borboletas...
Tomara que os dias me dêem tempo...
Tomara que os dias cresçam...
Tomara!
Que a minha alma é tamanha!
Como as vinhas da minha ilha,
Esperando, escondidas,
O choro do Garajau
E os dias vão-se tornando a minha pele,
Sedenta....
Que aguenta... aguenta... aguenta...

9 de setembro de 2012

... através dos silêncios...


Domingo!
Setembro!
Céu encoberto... tristonho... a Beira a mostrar-se Outonal...
Se houver sol... não sei por onde andará...
As coisas apressam-se numa lentidão silenciosamente sentida...
Os olhos, guardam apressados, mas precisos, a necessidade das imagens...
Guardam-se cheiros e sabores... pequenos gestos... delicadamente intensos... demorados, num respeito, que admiro... Numa força que se não mostra, mas que se sente...
Que "pena" tenho daqueles que nunca sentiram o sabor do amor, através dos silêncios... de pequenos nadas, que fazem "a diferença inteira"...
O ar aquieta-se... no jardim... E eu, vou indo devagar... como na asa do tempo, feita pequena porção de esperança e vida!
Abraços da Beira!

8 de setembro de 2012

Saboreando este sabor da quietude


Mais um sábado, amanhecido com Vila Nova a parecer a "terra da Bela Adormecida"...
Só ficaram "acordados", aí uma dúzia...
Um carro de quando em vez... ou muito de vez em quando...
Um arzinho fresco e puro p'la manhã, a anunciar, chegadas e partidas...
Um céu azul clarinho pespontado por restos de nuvens cheirando a fumo de fogos que foram dizimando este Distrito...
É o tempo do odor das últimas férias... o povo abalou para ver o mar... sentar-se na areia... a ver as ondas a bordar a terra... cheirar a maresia... molhar-se nas águas frias de Aveiro e da Figueira... Retemperar forças...
Rir um pouco... (faz falta rir...) Tirar dos ombros o peso, do peso da vida, nem que seja por instantes...
Caminhei ao longo das ruas e fui "saboreando este sabor da quietude", que tem esta perdida terra, no interior da Beira-Alta, e que hoje é no meu peito a morada que habito a meias, com a ilha que me navega o coração...
Mas sendo meio gente, meio ave... meio borboleta... preparo a minha "alma lutadora", para o Outono que há-de vir... e que se anuncia disfarçado de folhas caducas no meu jardim...
Bom fim-de-semana... Até a um dia destes!
Abraços, como nuvens... ou aves... com todos os tons que vestem a natureza!
Arrumem-nos por aí...

31 de agosto de 2012

Mulher da Ilha dos Bravos


Ultimo dia do mês de Agosto!
Está a "partir o Verão"... daqui a pouco, começam a surgir nas copas das árvores, o amarelo, o laranja, o castanho e o vermelho...
O tempo a "envelhecer"... A caminhar devagar para o cheiro das lareiras... do frio que corta no rosto... dos dias pequeninos...
São as horas das partidas, a marcarem compasso nesta ampulheta , que se chama vida!

"Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"!
Há que aceitar o presente e transformá-lo, no melhor dos futuros!
E assim fala uma "mulher da Ilha dos Bravos" (Devia perceber alguma coisa... quem nos chamou assim...)!

29 de agosto de 2012

... Como as aves... chegarei!


"De tudo o que é meu...
aquele lugar estranho, no fundo do coração, sempre aberto à chegada do teu nome"...
Tu sabes, que sou como as aves...
Deixo-te a palavra que entendas mais perfeita sobre a terra...
e logo... logo... como as aves... chegarei"!
:-*
E traço nos meus olhos, a estrada onde te encontrar todos os dias...
Por cada dia... uma batalha ganha... por nós!
:-* ssss!

21 de agosto de 2012

Nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar


Estou naqueles momentos silenciosos em que pouca coisa parece fazer sentido.
Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar.
Mas por dentro, eu deliro e questiono.
Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, uma alegria que caiba dentro da bolsa.
Eu quero mais que isso.
Quero o que não vejo.
Quero o que não entendo.
Quero muito e quero sem fim.
Não cresci pra viver mais ou menos…
Nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar.
Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz.
Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida… (Se der...)!

11 de agosto de 2012

"Ilimitar o Poema"


Como a noite bate no rosto...
Como o corpo bate no vento...
Como o vento bate no peito...
Como a água bate no corpo...
Palavras, são gotas de chuva...
Dizendo...Dizendo,

Peixes...
Algas...
E conchas...
Ao mar que em mim se passeia

E é uma luz preciosa
E é asa azul volitando,
Naquela que é a minha memória...
E,
É uma ilha...
Em escamas
No nunca, "não mais se acaba"

Estes nomes no meu colo!