31 de julho de 2012

O lugar do amor


E um dia ás vezes, a vida começa a doer muito, e não sabemos onde acaba ou começa o nome de deus... ficamos só com o que sobra da luta, nas duas mãos...
E as pessoas não querem desistir, tão longe "do lugar do amor"...
Então ainda ficamos à espera "de ventos favoráveis"!
E que "à toa pelo tempo", escorre silenciosamente, uma razão para trazer-nos de volta!
E o dia fecha, na noite, procurando renovar-se, na sombra do sono...
(Tudo isto serve de desculpa, de muito pouco)...
Obrigada, "Sol" pela manhã que abres na minha vida, quebrando os medos construídos pelas noites!

15 de julho de 2012

A quem acompanha os meus dias...


Para lá de tudo o que possa ser nomeado,
Fica este lugar, que conta já anos,
Onde coloco as horas,
Que não cabem nos sessenta minutos dos meus dedos,
E traço nos meus olhos,
O caminho onde os dias corram devagar…
Para que a lua me ensine
A seguir os meus atalhos,
E o sol a resgatar os meus sonhos,
E me cubram de palavras felizes.
Guarda-me…
E vai-me deixando voar,
Sobre esta terra de ninguém,
Onde morro e nasço,
Por qualquer coisa, que me fale de ti!

(Não há explicações para tudo)

Foi 15!




11 de julho de 2012

Portas... Lugares mágicos...


Portas cerradas… portas trancadas,
Portas fechadas… Aferrolhadas,
Portas sem chave… sem fechadura,
Portas que se não abem… que se enclausuram…
Portas fechadas,
Entreabertas, meias fechadas… meias abertas
Porta encostada,
Entre uma e outra porta,
Patamares que despertam!
Portas breves, calam silêncios,
Enquanto a vida
Se vai confundindo, numa vidraça,
Portas escancaradas, pelo tempo fora,
Onde dificilmente, se articulam palavras,
Longos corredores, de regressadas memórias,
Sem lugar único,
Dentro da casa,
Decoro em lembranças ancestrais,
Uma porta fechada, pequeno patamar,
De um rés-do-chão
E o eco do meu destino,
Foi habitar-lhe o sótão…
E das portas mais brandas,
Que por entre os meus dedos se abriram,
Construí, o recanto da moradia,
Que por noite me invade, o coração!
E não terei outra história de portas melhor para contar…
Mas preparo-me com doçura,
Para a que se rasgue em luz e cor,
E me construa por dentro a noção exacta,
Do que é o amor…




O nascimento da palavra


Até pode ser… até pode ser,
Que não queiram palavras…
Até pode ser… até pode ser,
Que não gostem de gestos,
Até pode ser… até pode ser,
Que não se recordem…
Até pode ser… até pode ser,
Que o que o sinto, não me foi ensinado,
Mas pela construção de mim, só herdado,
Até pode ser… até pode ser,
E de um dia pró outro,
A palavra era vermelha…
E a ternura, azul…
O silêncio, branco…
E as sementes, por despontar…
Roxas de espanto….
E no devagar das minhas mãos,
Foram crescendo,
Como bagos de uva,
Como o toque leve da sombra nas águas,
O destino escrito,
No som musical, das sílabas… lavadas,
Quando foi que as palavras,
Nasceram em meus dias?
E no território, dos meus passos,
Foram ficando,
Marcando compassos…
E não vale a pena tentar descobrir!!!
Porque a memória,
Se encarregou de o encobrir!!!



10 de julho de 2012

Como dizer...


Como dizer ás palavras,
Que alimentam a minha fome, e me projetam
Para a linguagem das coisas e dos bichos,
Nos imperfeitos dias e noites,
E me tocam por dentro,
A oeste do meu corpo,
Como dizer aos meus gestos,
Que sejam breves e claros,
Como aves,
Que assumam o dom de ser asa,
Como dizer, aos meus olhos,
Do que não me pertence,
Mas que guardo o ouro, que o coração sempre teve,
Desabotoo a vida,
Como da urgência de um barco,
E por mim deslizam inquietas,
Vestidas de vestidos frágeis,
A certeza da magia das palavras…
Ornando os meus silêncios,
Nas letras esquivas do meu nome!
Que palavras?
Juntei-as nesta tarde ao meu silêncio!
E toco de leve o rumor dos seus segredos!
Sou capaz de jurar que uma delas se transformou,
Em onda de espuma, sobre a minha pele!



17 de junho de 2012

Eu queria dizer-te...


Eu queria dizer-te pai...
Que embora não estejas, sempre estás...
Estás em cada gesto de Amor...
Em cada palavra delicada...
Em cada sacrifício.
Em cada lágrima,
Que escondeste e transformas num sorriso meu!
Eu queria dizer-te que cada estrela que brilha, é o brilho dos teus olhos!
Às vezes não sei dizer-te o quanto te amo...
Mas hoje os meus pensamentos, sorrisos e abraços, ternura e carinhos,
Irão ser um bouquet de flores, para enfeitar o teu coração.

E eu que já não tenho o meu aqui!
Sei que o tenho em cada coisa bela que a vida me mostra, porque foi ele, que me ensinou a vê-las...
Abraços pai !Onde quer que estejas!
Aqui ou onde o Céu não tem fim...
E não te esqueças nunca, que me orgulho de ti.

Dedicado a todos os PAIS...
Presentes ou ausentes, sabendo que é pouco,
Mas vem dum lugar onde as partidas não são definitivas...
"UM LUGAR CHAMADO CORAÇÃO"


Pelo dia do Pai, no Canadá (17/06), e transmitido pela voz de Josefina Azevedo, no programa "A Voz da Amizade", de António e Josefina Azevedo, na CHRW 94.9 FM, pelas 2,30h locais, também pela net em: http://www.radioluso.net/73.html



14 de junho de 2012

Pequena e mínima ideia…


Pequena e mínima ideia…
Asa pequena… nua,
Uma haste a segura,
Levo-a onde tudo explode,
E abraço-a
Onde as palavras existem,
Na dimensão branca do papel,
Deste rio de vidro e cristal,
Meço apenas,
O que cabe,
No único lugar vazio,
Da palma das minhas mãos!



Não me tirem as palavras...


Não me tirem as palavras,
Não me cortem estas asas,
Que minhas marés são de prata,
Flores de espigas soltas,
Como contornos de ilha,
O que tudo muda tudo,
Da minha vida marinha,
Escondidas nos meus braços,
Em laços, nós e abraços…
O muito que atravessa o mundo!
Deixem que o vento sopre,
E que eu galope nas ondas,
Deixando cair das mãos,
A negra terra vermelha,
De que me nascem palavras,


Resistem as lembranças!
A vida, não!



Lembro-me


Lembro-me que o meu coração,
Era uma borboleta,
Feita de cores orvalhadas,
Pintadas na minha pele,
Enrolei-me neste corpo,
Como se eu fosse seda,
E a borboleta puro espírito,
Desloco-me como as asas,
Que me habitam…
E lembro-me…
Que o meu coração era uma borboleta,
Ò mulher entre palavras!
Dentro de ti a borboleta é um frasco,
Cheio de água e sal,
A ondular-se como um rio,
Por vezes quente,
Por vezes frio… frio,
A morrer de travessias!


Eu só era


Eu só era o som dum búzio,
Eu só era uma espiga ao sol,
Eu só era um sussurro de vide,
Encostada a um muro,
Eu só era uma folha desprendida,
Eu só era aquela onda pequenina,
Eu só era uma raiz perdida,
Crescendo a pino no peito,
Unindo palavras à solta,
Eu só era fruto e som,
E um coração povoado,
Que esperava intensamente,
Que luzes se acendessem,
Mas surgiu esta pessoa,
Com um pássaro no peito,
E uma breve gota d’água,
Sem mais nada… sem mais nada!