14 de junho de 2012

Pequena e mínima ideia…


Pequena e mínima ideia…
Asa pequena… nua,
Uma haste a segura,
Levo-a onde tudo explode,
E abraço-a
Onde as palavras existem,
Na dimensão branca do papel,
Deste rio de vidro e cristal,
Meço apenas,
O que cabe,
No único lugar vazio,
Da palma das minhas mãos!



Não me tirem as palavras...


Não me tirem as palavras,
Não me cortem estas asas,
Que minhas marés são de prata,
Flores de espigas soltas,
Como contornos de ilha,
O que tudo muda tudo,
Da minha vida marinha,
Escondidas nos meus braços,
Em laços, nós e abraços…
O muito que atravessa o mundo!
Deixem que o vento sopre,
E que eu galope nas ondas,
Deixando cair das mãos,
A negra terra vermelha,
De que me nascem palavras,


Resistem as lembranças!
A vida, não!



Lembro-me


Lembro-me que o meu coração,
Era uma borboleta,
Feita de cores orvalhadas,
Pintadas na minha pele,
Enrolei-me neste corpo,
Como se eu fosse seda,
E a borboleta puro espírito,
Desloco-me como as asas,
Que me habitam…
E lembro-me…
Que o meu coração era uma borboleta,
Ò mulher entre palavras!
Dentro de ti a borboleta é um frasco,
Cheio de água e sal,
A ondular-se como um rio,
Por vezes quente,
Por vezes frio… frio,
A morrer de travessias!


Eu só era


Eu só era o som dum búzio,
Eu só era uma espiga ao sol,
Eu só era um sussurro de vide,
Encostada a um muro,
Eu só era uma folha desprendida,
Eu só era aquela onda pequenina,
Eu só era uma raiz perdida,
Crescendo a pino no peito,
Unindo palavras à solta,
Eu só era fruto e som,
E um coração povoado,
Que esperava intensamente,
Que luzes se acendessem,
Mas surgiu esta pessoa,
Com um pássaro no peito,
E uma breve gota d’água,
Sem mais nada… sem mais nada!


Caso eu seja


E a terra à volta do sol…
Ou o sol à volta da lua…
A lua à volta da terra…
Ou o contrário todo,
Por aí, eternamente,
Numa dança graciosa,
Harmoniosamente tocante,
Cheia de voltas e encantos,
Coreografia genial,
Sem haver um só engano,
Sem passo que seja trocado,
A boiar nos intervalos,
Deste infinito mundo,
Cheio de vazio sem fundo,
E eu não sei coisa nenhuma,
Já que coisa nenhuma,
É nenhuma coisa,
Fico-me pela gaivota marinha,
Que sobrevoa as águas,
Num lugar qualquer…
Numa pontinha de asa breve,
Roçando a ilha… roçando,
Caso exista o lugar de eu ser gaivota!


12 de junho de 2012

O Não do Sim...


O não do sim….
O sim do não…
O não e o sim…
O sim que é não…
O não que é sim…
O não que é nim…
O sim que é só não…
O não que é só sim…
E sins guardados em nãos,
E nãos contidos nos sins,
Acenos antigos… sins pesados,
Nãos leves…
De sins sentidos,
 E nãos percebidos… sonantes… negados…
Em cada sim, começa o mundo,
Em cada não, o seu recomeço,
Que vem de nós e respira no verso,
Um sim nos afasta,
Um não, aproxima,
E mordo a rima…
Um não que afasta…
Um sim que aproxima…
Um não que é seta…
Um sim que é promessa….
Tanto sim em demasia…
Tanto não, que em vão regressa…
Um sim,
Ou um não,
O discreto percurso da vida… imprevisível…
Onde num sim ou num não,
Tudo é possível!

(Para quem me escutou… me percebeu… me ajudou...
E até adivinhou a “história do não e do sim”)

Um não!
E um sorriso Drª Cristina!



A invenção das coisas


Dão-me um ponto na linha da água,
Não tenho mais nada…
Se inundar este branco do papel,
Terei os silêncios que falam,
E o que fala será mudo,
Porque discutem heranças e posses?
Entre o céu e a terra,
Tenho tudo,
E a distância que se abre,
Entre o espaço do meu mundo,
E o lugar do meu nome,
Disfarça, e deixa à porta de mim,
O que me cerca de silêncios,
E me deixa,
Livre… liberta… assim…
E vem na voz dos búzios,
Sonoros sons da alegria,
E trazem o que é daqui,
E nestes confins do confim,
É-me dado perceber,
Que nada disto é p’ra mim…
Busco a voz que me alimenta,
Sal… maremoto… tormenta,
Não tenho nada a perder,
Com tanta palavra a crescer,
E dou por mim tão inteira,
Leio a sina, nos meus dedos,
Como vento que ondeia,
E recomeço de novo,
Como ave no seu voo!
Que mais querem sou assim,
Filha da maresia…
E desta vida… vivida!



Urgências


É urgente saber ainda...

Da Igreja da Conceição,
E do toque das matinas...
Da Escola à nossa espera...
Do Bus azul que vinha da Base,
cheio de risos... rapazes... meninas...
Do toque da campainha,
Da entrada p'la janela...
Em três degraus de madeira,
Ao corredor p'rá Cantina...
Do pequeno posto médico,
Encatrafiado entre o corredor interior,
E a sala das meninas...
Dos piqueniques secretos,
Com araçais e amoras, escondidas na Torrinha,
Dos "cognomes inocentes" ...
Aos nossos respeitados Docentes...
do brilho que tinham os Bailes...
do olhar atento das mães...
Da cumplicidade (já á altura)
Do Dr.Víctor Magalhães...
Das escapadelas furtivas...
Até ao Jardim e tanque do preto...
No começo dum namoro, desperto...
Ladeira de S. Francisco...
(Santo que é do meu pai...)
Onde é que isto já vai...
Lembranças... amigos lembranças...
Que fazem das nossas tranças, cabelos brancos, grisalhos…
Alegrias... sorrisos e ralhos...
Tanto que eu vos contaria...
Se mais hoje papel haveria...
Há coisas que já "me esqueço"...
Mas, voltarei... eu prometo...
Da Escola... e desse tempo...
Não se "me esqueceu" o endereço!



11 de junho de 2012

O nada...


Do nada que tem o nada,
Do nada que o nada tem,
Do nada que é tudo e nada,
E do nada que é muito tudo,
Há pouco do muito nada,
Há muito do nada tudo,
E o tudo mudou o rumo...
E o nada resiste e é fruto,
Doce, amargo,
Como só o nada e o tudo,
Ou o tudo que é o nada,
Ou o nada que é o tudo,
Até perder de vista,
A orla do meu futuro!

No nada que o nada tem...Que o nada enche de nada,
E te faz pensar que tens tudo...
Mas que é afinal... nada é...
.Se não um grande ou pequeno nada...
Que por ser nada... Ou tudo...
Te faz pensar... num "escudo",
Que é nada... mas está no escuro...
E dentro constrói um muro...
Feito de nada e de tudo...
E te deixa... por vezes só... por vezes mudo...
Sem explicação para tudo....
Que o nada e o tudo...
São tudo e são nada,
E te deixam calada....
Só... vazia... amordaçada...
E com nada e tudo....
Não possuis nada....
A não ser a palavra...


Ás tintas da minha amiga Zulmira


Um dia vou dar-te... um azul de mar que era cor de anil...
E pintava os sonhos como versos que eu tinha...
Hei-de encontrar o roxo... mais roxo da "nossa Saudade"...
E da nossa Lira...
Do branco da cor da crista da onda... leve como pluma de gaivota...
Do verde-verde dos pastos... que entra no olhar e fica...
Se o meu tempo não chegar... farei que te cheguem...
As cores por pintar... Eu estarei fora de prazo...
Mas não as minhas tintas...
Um dia pintarás com elas a porta... a rua... a casa...
A nudez da vida...
Entre cais... malas e vapores...
Cabelos... laços... fitas em desalinho...
Eu serei... a transportadora das cores a meio do caminho...
As palavras por vezes "desfazem-se"... nas correntes do ar...
Põe-nas "junto à mão", na expectativa do meu coração...



Ó coisas da nossa infância!


Bem que o sinto, o toque do vento,
O vento vindo do cais,
Corpo Santo, acima trepando… assobiando,
Na curva da casa do António,
Enrolando, à volta da Igreja da Conceição,
Descendo a Rua do Morrão…
Bem que os ouço os sinos tocando,
E o nosso riso, no largo “atrás-das-hortas”,
Correndo e gritando, aos morcegos:
…”Toma lá azeite! Toma lá azeite!...”
(E ainda não desvendei o porquê)
Ainda a sinto e vejo, a avermelhada bola de fogo,
Por cima do teto da ilha…
O sol a ser engolido p’lo mar,
E lá ao longe o ilhéu,  o canto do garajau,
Ainda ouço as despedidas,
E os “planos”, p’ra outro dia!
E o céu a escurecer, no alto da clarabóia,
Do meu quarto de menina,
Colcha branca e cor-de-rosa,
Fazendo crescer no meu peito,
Palavras para outra história,
Já tocaram as matinas,
E a bata branca enfiada,
Com não sei quantas listas,
Bordadas, na manga, levava,
Porta fora… Rua do Galo descida,
Praça Velha atravessada…
Subindo a rua da Sé…
Num pulo, no Alto das Covas,
Imponente, a nossa Escola,
Dum lado meninos, do outro meninas,
(No meu tempo, “era a moda”)!
E o cheiro ainda o sinto,
De “ponta de lápis, acabado de afiar,
Do tinteiro, que era branco,
E dos dedos a azular…
Do pátio, com um lago ao centro,
E dos corredores à volta, onde se cantava,
“No alto daquela serra... está um lenço a acenar…
Eu fui ao jardim da Celeste…Um abraço te vou dar…
Tanta laranja da China, tanto limão pelo chão,
Tanto sangue derramado dentro do meu coração…”
E jogava-se……
Jogava-se ás saquinhas de arroz…
Ás apanhadas… Ao gavião…
E jogava-se ás “piorrinhas”.
Com uma bola vermelhinha,
Que vinham embaladinhas, na caixa azul e vermelha,
Que “umas senhoras”, traziam,
E a que nós tão infantilmente chamávamos como
“Dia das Caixinhas”!
Perdidas no tempo,
Na memória guardadas,
E de ternura, entremeadas!
Onde as minhas tranças, que por “mon”,
Duma “gama”, se viram, cortadas?
E das tranças, passei a usar,
Corte “à la garçonne”!
Que “raio de ideia”!
Aquelas franjinhas!
E eu a pensar que da França,
Só vinham, eram criancinhas…
Eu, não!
Que vim na cesta de costurar,
E da roupa p’ra engomar…
Um dia destes, eu contarei…
Hoje, não!

Hoje, não digo mais nada….
Que as Trindades aqui já foram batidas…

E Trindades batidas,
Meninas “arrecolhidas”!

P.S. Falarei dos pirolitos…”ice-cremes” e malaguetas,
       Milhos de “Freira”… povides… e outras “tretas”!



15 de maio de 2012

COISAS DE SER-SE ILHÉU...


Vou atravessando a vida,
Com a ilha de permeio...
"Papejando" no meu peito... um coração marinheiro...
Ligo por entre os dias... nuvens... aves e "queimados"...
Vento Norte... E o mar é cheio!
Oh! minha estrada marinha,
Que no meu peito se empedra,
que no sonho se exalta,
E a saudade é uma cantiga:
"Maré Alta! Maré Alta!"
E este horizonte no fim,
Com" carneirinhos" rodando,
Fincam-se junto ao ilhéu,
E no meu peito sobrando...
Que mar-ilha e ilhéu,
Escola... Ruas.... travessas
Casas brancas... barras belas coloridas...
Saudades... promessas... lembranças...
E me acrescentam assim... na ilha que vive em mim,
Da ilha que vive em mim... Do que em mim...vive esta ilha...
Minha árvore e raiz..... Sempre serei sua filha!


Mari' Angra

31 de março de 2012

Em jeito de despedir...


 31/03/2012   8:45
Bebo o meu pingado no “Lava Preta” sito nos Biscoitos!
Queimo os últimos cartuchos, e tenho o coração aberto à partida,
Encharquei-me de mar e sal…
E volto à minha fria e inóspita terra que me acolheu!
Mas o que sinto neste momento é que:
Vou para casa”
Volto pra casa!
Pertencerei aqui, como as aves migratórias,
Mas o meu poiso definiu a sua morada…
E volto como uma menina ao colo de quem me ama,
Com um abraço embalado de saudade.
“Engraçado” o tempo de descobrir!
Esta já não é mais a minha dimensão,
Meu coração fez-se Beirão…!


19 de março de 2012

Por dentro dos Sentidos


(Ao antigo Grupo Coral da Conceição;
Ao meu companheiro, que faz dos meus sonhos verdades;
Aos meus primos, a família que me resta;
A vós, amigos, a restante família que adoptei mesmo que não quisessem!)

Se a saudade falasse e contasse,
Faria de novo um Coro,
E na voz trocada, feita Querubim,
Traria lembranças, saídas de mim!
Mas parado ficou, meu coração,
Tocado de orvalho, em bruma guardado,
Com cheiro de amora, gosto de Alfenim!
E nada murchou… Num tempo sem fim!
E pedi ao tempo:
“Não faças barulho”!
Mas o tempo passou, agarrou-me revolto,
Por vezes alegre, por vezes injusto…
E deixou-me ancorada… Num lugar sem nome,
Poisada nele…Num enternecer, de nunca esquecer…
Mas agora, eu sei! E riu baixinho,
Pois, que o tempo não sabe, de amizade, ou amor…
O tempo não sabe, nunca amou ninguém!
Que a saudade é o tempo de só existir,
Quando muito se quer, ou se lembra d’alguém,
E ter saudade, não é viver no passado!
Mas só ter vivas recordações,
Saber de vós… De cada um…
Nunca vos perdi! Hoje encontrei-vos…
E é uma alegria, que de tão alegre, até me dói,
Mas que me encanta, me deslumbra e me constrói,
E no regresso, levarei na mala,
A mesma saudade, com a simplicidade,
De não saber nada!
E por todos vós, os que estão e não estão,
No coração, um laço, apertado em nó!
E esta lembrança, que se fez alento,
E fará os dias, que terá o meu tempo!

19/03/2012  Mª José de Azevedo Ferreira
”Menina-de-trás-das-Hortas”



16 de março de 2012

Voando por cima das nuvens



 16/03/2012   8:45, hora de Lisboa


Mil pensamentos esvoaçam,
Olho a asa que voa e não voa…
Parada a nuvem ao lado… voadora!
A que se esbate ao fundo.
O zumbido contínuo
Que tento isolar,
É que me dá a sensação de estar a voar…
E vou encurtando
Por dentro o tempo, com diferentes horas no pensamento!
Estas são horas, que duraram meses,
Acordando… dormindo… progredindo!
À minha frente,
Uma tela mostra um mar e golfinhos,
Espuma e brilhos
Em louca cegueira
E de quando em vez… um buraco no céu…
Uma tremedeira!
Neste voo que faço
Em que trago cansaço,
Mas com este traço, entre a ilha e mim…
Cresce, cresce sem fim ou sem fundo,
A caminho “d’outro mundo”!


Vão dar-me chá… e digo:
“Até já!”



27 de fevereiro de 2012

"Amanhã" ( Por causa d’hoje)


Hoje vou lembrar tempos antigos!
Do barulho do mar p'las noites de temporal,
Do vento a assobiar pelo telhado...
Da luz do candeeiro a estremecer...
Do cheiro das maçãs-pêro, perfumando o chão do sótão…
Dos murganhos a correr…
Vou lembrar-me de meu pai…
“Alvaroços “ bem lavados… desperdícios pelos bolsos…
Saxofone a brilhar…
Vou lembrar-me de meu pai,
No seu ar risonho, acostumado!
Vou lembrar das sextas-feiras na Guarita,
Da tia Emília a cozer pão alvo,
No seu ar afadigado…
Vou lembrar-me dos suspiros… das filhós,
Da batata-doce assada e da farinha torrada…
E do gato a ronronar de descansado…
Vou lembrar-me do sino da Conceição a tocar…
Das traineiras a partir…
Do meu Fiel que acordou a ladrar…
De um foguete atirado para o ar…
Da limpidez de um céu estrelado,
Da bênção que pedia a meus pais…
Vou lembrar-me da avó Maria,
Das tia emigradas no Brasil,
E que da América, vinham sacas,
Com “roipas coisas e loisas”…
Vou lembrar-me dum Coro de jovens a cantar,
Da bandeja, onde punha a riqueza dum tostão…
Das risadas, engasgadas no Refrão…
Do Josézinho Sacristão… E do nosso Padre Adão!
E das “gamas e candins”, que guardava,
Na saquinha de retalhos,
Que a avó Maria fazia…
Já de olhos demorados…
Vou lembrar-me…
E amanhã… Num amanhã que há-de vir…
Ireis lembrar-vos tal como eu,
“Desta parte da vida”, que foi feliz…
Que me fez… e me lembrou,
Hoje, talvez…
Porque a memória assim o quis !

Viajante


Viajo no tempo,
E um cheiro forte,
Polvilha o caminho
De terra queimada
E trago histórias,
Adivinhadas,
E outras tantas,
Nunca contadas…
Sinto-me antiga,
No rosto cai,
Um tom de azul…
Um quase nada…
No meu querer …
A madrugada!
Rodou a maré…
E a maré, mudou o rumo,
E os “Porquês”,
Vieram juntos,
Pelas manhãs,
E milagres tinham no meu regaço,
Guardados bem,
Tornando a vida, em pedacinhos,
Largando aqui,
Ali… Além!
Fui sendo eu…
Não sei ainda… Não me deixei poder ficar,
Demasiado tempo… pousada na vida,
Faltou-me tempo,
Para voar…
Mas agarrar-me à vida,
Fá-lo-ei sempre… mesmo sem nada…
Tão simplesmente,
Porque me garante, a garantia,
De ser eu esta….
Sobrevivente!

5 de setembro de 2011

O silêncio, não é sempre um engano...

... E há tristezas, que se soltam de lugares secretos... e nos navegam os gestos... e embriagam os olhos...
E é um grão de areia... em poeira de luz clara...
Onda de mar... tocando a face de sal... e o corpo da alma tem um sabor exausto... como um infinito parto...
Afago a vida, para comandar o sentido das coisas...
Enroscando-me, na minha concha de "lapa burra", para brilhar de madre-pérola...
É preciso dar ocupação à "ave que magoada por vezes voa em nós"... num minuto de cinza...
E peço ao vento que leve tudo... ao vento que vem da Nave... cortado, frio e rápido...
E tenho mil sonhos na minha mente "descrente-crente", nesta aventura de ser:Eu!
E esta emaranhada teia, escrava nas minhas mãos, plantando palavras que redescubro, nesta dimensão...
Todo o nada me toca... e é tudo... dona de tudo... sem nada ter...
Simplesmente porque num minuto talharam em mim este "sabor de sempre"...
E entro pelas frechas de mim, por onde escorrem as minhas lutas "enlutadas"...
E ás vezes, sou "menos eu", em viagens, mil vezes adiadas...
Desta que em mim faço nascer... "empoemamdo-me" a esta entrega, a que livre me "condeno"!
E continuo de coração descalço, sobre a vida!
As palavras "estão por um fio"...
Fico por aqui!

23 de agosto de 2011

"Ao sabor das minhas marés"!


...Os meus sonhos ás vezes sonham ser ondas...
Sei o que digo... porque as palavras sabem a linguagem dos peixes...
E nasci olhando um ilhéu, a minha voz ficou presa, nas pegadas da areia...
Tenho dentro de mim, o sotaque do mar...
E amanheço, porque as gaivotas espalham o seu canto...
E "por vezes" alcançam a lua!...
E sou uma nuvem desfiada,
E acrescento-me em cada maré cheia...
Tacteio a terra até ser rocha...
Tacteio o tempo até ser água...
Inexplicávelmente ás vezes sou nenúfar (mas não me perguntem porquê)...
No rosto a água de sal...
Sal que se torna despedida...
E em dois azuis me misturo...
Mar inteiro...
Céu sem fim!
E o tempo pára, no espanto das memórias!...

(Não era eu, feita pássaro... mas a ilha que voava)!...


12 de agosto de 2011

As marés que tinha não chegavam...

"...As marés que tinha não chegavam... a linguagem das ondas, era outra, a vida passava de repente...ou por vezes tão lenta como o sol a morrer no mar...
Havia dores antigas… Lembranças de dores sem nome...
Soletro outro idioma... Reconheço-me?
Não reconheço?! Sou eu mesma?!
Perdi as graças do mar... que me trazia os silêncios do mundo...
Não sei fazer mais nada... do que cultivar letrinhas para nascerem palavras... perco-as por vezes...
(Mas no que é perdido, ainda podemos renascer)!
Uma "jovem-menina", que sempre se pensou marinheira, e que vira do avesso o coração!
(Mas eu sei que o mar não me esqueceu... volta sempre a estas praias... onde recebo a ilha na mudança dos ventos!)
E vai encontrando de mim... quem pelas palavras me procura!
Pelos ventos me transporta...
Pelo sorriso me guarda... Pela saudade me lembra!
E deixo-vos à porta das minhas palavras as vossas lembranças... ilusões e memórias!” :-)