6 de agosto de 2011

Cruzetas de lava

Deixo cair da terra escura que me criou, um amuleto e um verso...
No infinito que me desprendo... podereis ver, o que sou,
Lembrar de mim, o que faltou...
O que quiz ser... e não deu...
Menina das ilhas que era eu... com um sol sempre a espreitar atrás de um ilhéu...
Um choro de garajau... que o tempo escondeu...!
Agora...
Sentem-se comigo à beira-rio... à beira-mar...
As ondas são dunas liquidas... sem fim, e o rio cumpre-se devagarinho...
Que sabe o céu de que verdade vivemos?
De que, em verdade vivemos?
Mas à noite "quando tudo se esconde"...
E pensamos que toda a luz morre...
Que palavras murmuramos e escondemos?
Num rasto de verdade e não de invenção
Brilha na noite a resistência da vida...
E as lembranças, soltando-se como fios de um eterno novelo de algodão...!

13 de julho de 2011

No ha de haber un espíritu valiente?

... No ha de haber un espíritu valiente?... Sempre se ha de sentir lo que se dice?... Nunca se ha de decir lo que se siente?... Hoy, sin miedo que libre escandalice, pude hablar el ingenio, assegurado de que mayor poder le atemorice. En otros siglos pude ser pecado, severo estudio, y la verdad desnuda, y romper el silencio el bien hablado. Pero sepa, quien lo niega y quien lo duda, que es lengua, la verdad, de Dios severo, y la lengua de Dios nunca fue muda...
(De Queveda)

21 de junho de 2011

Ó meu amigo Fernando Bettencourt... Então queres uma rima!

A menina-de trás-das-hortas, vai cá ver se "antão atina"!

... Direitinho do Canadá,
Lá vem vindo, um avião,
E trás lá "drento" o Fernando c'as soidades no coração!
E de Toronto à Guarita!
"Hé home, hé pessoal",
Vai ser melhor c'uma fita,
O nosso querido amigo,
A mais a sua esposa...
"Botem colchas na varanda",
Que vê-lo é melhor c'uma bôda,
Uma bôda, é uma festa,
"Cando cheguemos" à terra,
Trazemos connosco tudo,
O que no coração se encerra!
E diz que vai p'ós Biscoitos!!!
Ah! Corsairo!
É só p'ra fazê invejas!
Vai p'ra casa do Néné,
E inda vai comê Bochechas!
Ah! Guida! Oh! Minha amiga,
Tu bota-lhes malagueta...
Que na volta para casa,
Mata a sede na "Sarreta"!!!
Como me lembro de vós!
Guida! Como me lembro de ti...
Lembranças que o peito têm...
Tu, cantando os "Olhos Pretos"... do rosto da tua mãe!
Já nã falo em Samiguel...
Q'uisto se carta fosse, já nem havia papel!
Come sarapatel e lapas...
Pão do Bodo... come morcela, come cracas...
Vai ao mar... .
Vê o ilhéu,
Olha p'ró Monte Brasil...
Vai à Serra do Paul, e olha, o verde sem fim!
Sente os cheiros! Sente a ilha... e meu amigo, sorri!
E nos sorrisos que dês...
Dá, sempre um a mais por mim!
Saudade da minha ilha, nem a vida a levou...
Sou filha do "Mestre Francisco"
E o seu jeito me ficou!

17 de junho de 2011

Dois olhos

Dois olhos tombados no mar...
Dois olhos tombados no tempo...
Dois olhos tombados na vida... dois olhos...
(Como são tristes os olhos do coração, quando acordam vazios)...
As palavras, arrumamo-las entre os medos... e o que custa são os silêncios…
Fui-me desapegando "dos pensamentos"...
E começando a falar, doutras coisas... para encontrar a palavra... aquela que é única, verdadeiramente nossa... E no pó da vida, reclamo a existência!

11 de junho de 2011

Bom fim de semana...

E há vida e vidas... e anos e meses e dias e momentos...
Segundos... lentos... sofridos alegres...
E há sábados que sabem a nada a muito a tudo... tal como a vida...
As vidas... os anos... os meses... os dias... como ondas largas... altas... perdidas...
E no peito surgem velas e barcos sem mares...
Então navegamos por dentro desta amálgama... encorajando a alma a sorrir...
Porque ainda há vida...
Mas lá no "fundinho" ainda vamos "magicando", sobre isso de vidas... anos meses... dias...)!
Bom fim-de-semana!

8 de junho de 2011

Palavras como sementes derradeiras... (E mai nada!) Como diz o meu amigo Serafim! Boa noite Agualva!

Parti da voz ás minhas mãos...
Desfolhei a chuva,
Soltei o perfume da terra,
Toquei no nada,
Tentei palavras e todas me faltaram,
Então abri as frestas do tempo, como gomos,
Assaltei o mundo,
E dentro de mim,
Recolhi-me ferida, dos combates da vida,
No que digo e escrevo,
Tento dar, a paciência dos rios,
A idade dos livros,
Não tenho mapa, nem bússola,
Mas os pássaros... e o que recebo de volta,
Embrulham o meu coração... !
(Nascemos, para produzir sonhos, e sentir e amar)!

6 de junho de 2011

Onde acaba a saudade...

6 de Junho de 2011
Amanheceu cinzento... a tender para o "molhado"...
Mas que Junho este!!
O que me restou da noite, entrego ás mãos do dia,
E quero acreditar, que "muito ao longe", ou muito ao perto, um sol... uma nuvem, ou um pássaro, venha estabelecer o início do Verão, que anda "desgarrado”...
Porque as sementes, essas, já as entreguei à terra, onde tudo pode a seu tempo germinar...
Enquanto isso, espero a vinda dos meus amigos: António e Josefina!
Junho vai ser "onde acaba a saudade"e começa a ternura!










Nos olhos a saudade é uma borboleta inquieta!

4 de junho de 2011

Atendedor automático... de avós!

"Bom dia, de momento não estamos em casa mas por favor deixe-nos a sua mensagem depois de ouvir o sinal sonoro:
- Se é um dos nossos filhos, digite 1
- Se precisa que lhe guardemos os netos, digite 2
- Se quer que lhe emprestemos o carro, digite 3
- Se quer que lavemos a roupa e a passemos a ferro, digite 4
- Se quer que as crianças durmam aqui em casa, digite 5
- Se quer que os vamos buscar à escola, digite 6
- Se quer que lhe preparemos uns bolinhos para domingo, digite 7
- Se querem vir comer cá a casa, digite 8
- Se precisam de dinheiro, digite 9.
- Se é um dos nossos amigos, pode falar!"

31 de maio de 2011

As coisas que as coisas têm...

As coisas que as coisas têm... e não contêm...
No que não contamos... .ou contamos...
Porque não nos contemos... ! Ou contemos.!.
E ficam segredos contidos que de tanto se conterem...
Tornam-se segredos contados p'los dedos em medos sofridos...
Então o que nos contêm...
Ás vezes porém... é palavra alada que voa e se espalha e soletrando vai...
Cortando o medo contido... sofrido...
E torna-se segredo divido...
E diz-se: "Obrigada, amigo..."
Ou é só sorriso...
por um medo dorido, e passo a ter palavras claras...
E fecho as portas "ás armadilhas na vida contidas"!

30 de maio de 2011

Não é tarde... nem é noite...

... Não é tarde... nem é noite... é assim:
"Entardecer"!
Um pouco como ainda já não ser noite, e ainda não ser dia...
"A aurora"...
É nesses espaços temporais, que descubro um lado solitário em mim.
Talvez a escrita seja a minha forma de estar com os outros.
Gosto do entardecer, do recolhimento...
"saber estar no silêncio".
Intimamente, cada um de nós, sabe o que nos distingue...
E a vida é uma vertigem do princípio ao fim!
E adaptabilidade não é imitação, mas sim poder de resistência e assimilação...
(É melhor parar... se não lá vou eu por "aí fora")
:-)