6 de junho de 2011

Onde acaba a saudade...

6 de Junho de 2011
Amanheceu cinzento... a tender para o "molhado"...
Mas que Junho este!!
O que me restou da noite, entrego ás mãos do dia,
E quero acreditar, que "muito ao longe", ou muito ao perto, um sol... uma nuvem, ou um pássaro, venha estabelecer o início do Verão, que anda "desgarrado”...
Porque as sementes, essas, já as entreguei à terra, onde tudo pode a seu tempo germinar...
Enquanto isso, espero a vinda dos meus amigos: António e Josefina!
Junho vai ser "onde acaba a saudade"e começa a ternura!










Nos olhos a saudade é uma borboleta inquieta!

4 de junho de 2011

Atendedor automático... de avós!

"Bom dia, de momento não estamos em casa mas por favor deixe-nos a sua mensagem depois de ouvir o sinal sonoro:
- Se é um dos nossos filhos, digite 1
- Se precisa que lhe guardemos os netos, digite 2
- Se quer que lhe emprestemos o carro, digite 3
- Se quer que lavemos a roupa e a passemos a ferro, digite 4
- Se quer que as crianças durmam aqui em casa, digite 5
- Se quer que os vamos buscar à escola, digite 6
- Se quer que lhe preparemos uns bolinhos para domingo, digite 7
- Se querem vir comer cá a casa, digite 8
- Se precisam de dinheiro, digite 9.
- Se é um dos nossos amigos, pode falar!"

31 de maio de 2011

As coisas que as coisas têm...

As coisas que as coisas têm... e não contêm...
No que não contamos... .ou contamos...
Porque não nos contemos... ! Ou contemos.!.
E ficam segredos contidos que de tanto se conterem...
Tornam-se segredos contados p'los dedos em medos sofridos...
Então o que nos contêm...
Ás vezes porém... é palavra alada que voa e se espalha e soletrando vai...
Cortando o medo contido... sofrido...
E torna-se segredo divido...
E diz-se: "Obrigada, amigo..."
Ou é só sorriso...
por um medo dorido, e passo a ter palavras claras...
E fecho as portas "ás armadilhas na vida contidas"!

30 de maio de 2011

Não é tarde... nem é noite...

... Não é tarde... nem é noite... é assim:
"Entardecer"!
Um pouco como ainda já não ser noite, e ainda não ser dia...
"A aurora"...
É nesses espaços temporais, que descubro um lado solitário em mim.
Talvez a escrita seja a minha forma de estar com os outros.
Gosto do entardecer, do recolhimento...
"saber estar no silêncio".
Intimamente, cada um de nós, sabe o que nos distingue...
E a vida é uma vertigem do princípio ao fim!
E adaptabilidade não é imitação, mas sim poder de resistência e assimilação...
(É melhor parar... se não lá vou eu por "aí fora")
:-)

28 de maio de 2011

Só por um par de chinelas...



Tem chovido a potes…
Tem chovido a cântaros…
”It’s raining cats and dogs”…
Mas já abrasa…
Já se vê o sol a pino…
E o calor já encurta os “braços ás blusas…"
Os meninos comem gelados…
Usam calção e panamá…
”As águas que em Junho hão-de regar de Abril e Maio, hão-de ficar”.
Bom, o que sei é que já tenho os pés ao léu…
Com chuva, ou sem ela… é do melhor andar de dedos à solta…
Ver os sorrisos porque o céu ficou azul-azul e o sol amarelinho…
E as minhas “velhinhas companheiras”, já saíram à rua!
Que maravilha!
E quero lá saber que digam:
Tanta conversa, só por um par de chinelas!  :-)))








Pés na terra, coração na Beira

25 de maio de 2011

Eu... "estranhamente... estranha"!

E há dias de sol... de certezas sem certezas... e incertezas...
De pássaros tontos de luz... de casas caiadas de branco...
De palavras, que morrem antes de nascerem...
Estranguladas no silêncio... de sorrisos que só querem sorrir...
De sonhos que ficam só por sonhos...
Só...
E hibernam no coração das esperanças...
E na palavra, talvez...
(Que "coisas" estas em mim, que me fazem sentir, tão estranhamente estranha?)
Não amarrem as palavras no peito... digam-nas!
Ás vezes é urgente ouvi-las!
Bom dia! Basta só uma...
Só uma!

19 de maio de 2011

Para ti... meu companheiro... meu amado... meu amigo...

... Há palavras...
Há maneiras de adormecer e acordar em camas desfeitas de pensamentos
Ou luas, ou mares...
Há dias de edificar "casas em ruínas",
Desabitar os quadros e as molduras...
Porque há um lado da dor que é completamente nossa...
Talvez por isso inútil...
E sou capaz de jurar que nem dá conta que existe...
E vou ousando prolongar-me na toalha branca do papel...
Porque houve sempre palavras "enormes" à minha espera...
Mas talvez qualquer coisa tenha começado agora, com este meu nome, mais verdadeiro...
Com estas mãos e estes olhos, com que um dia jurei, habitar os dias das palavras claras...
E uma casa onde "largue" o medo... e os seus mais antigos significados...
E que voltem a "tempo de me salvar"...
Escorre dos meus dedos o pó do tempo...
E possuo este amor de amar-te, que consegui salvar de todos os dilúvios...
E desenho com a ponta dos meus dedos as fronteiras exactas do teu rosto...
Até chegar ao lugar, especial e único... em que de mim nasces... sorris... vives... e habitas !
Esperar por ti, é onde nunca se gasta o tempo das esperas!  :-*  ( )  :-)

18 de maio de 2011

Houve um tempo...

Houve um tempo, em que as marés eram espuma...
Houve um tempo, em que as batas eram gaivotas em pés dançantes...
Houve um tempo, em que os dias não se contavam...
Porque nasciam logo sóis nos outros dias...
Houve um tempo, em que nos vestíamos de Oceano...
E a vida era absolutamente disponível...
Houve um tempo, em que todos, nós, crianças, tínhamos a ilha acorrentada no peito...
E ficámos (quase todos), adormecidos nela...
Esperando ventos favoráveis...
Entre os sonhos e as lembranças,
Ficou sempre uma "maré que não queremos abandonar"!

Da Terra e do Pão… (Num entender de espanto)!

(O que a Beira me ensinou, a mim, menina da ilha)
A aldeia é onda em movimento, e com este sentimento guardado num bolso fundo, ponho para florir uma rusga de saudade, construindo na alma um ritmo ao Fado Beirão, cresce na tarde um som que a palavra não diz, que a enxada moreja… Capucha posta a modos sobre os ombros, que o trabalho aqui, pede ser-se mulher mais cedo.
É pois assim, a terra, uma giesta florida, um monte de nada e tudo, um cuco cantando p’lo mês de Maio. Cesto ao canto da cozinha, coração concêntrico, que arde por tudo, inflama-se por nada.
E semeia o milho, e rega-o e sacha-o e colhe, carrega a burra p’ra levá-lo ao moinho, e faz o fermento, e amassa a farinha com água e sal, bate e vira. Deixa-o na masseira para fintar, enquanto o homem carrega a lenha e esquenta o forno. Ela acende a lareira, enche o panelo, encosta-o bem; vai ao quinchoso, apanha as couves, prepara o caldo, dá comida ao bibo: “Que vida esta”! E arrasta os tamancos sorrindo um sorriso dorido, e o garoto: ”Oh mãe traga o pão”! Enche o tabuleiro, que as bocas são muitas…
E dá ao garoto as sardinhas num prato, que cobrem uma bola, ás vezes duas, que saindo do forno, entretém a conversa, estendem-se as pernas, aliviam-se os pés, aquece-se o corpo, e saindo o pão, carrega-se o tabuleiro, deixando ao passar, odor de trabalho, e o caldeiro cheio de borralho quente anima o serão, enquanto o menino, se vai aninhando no colo da avó, ouvindo histórias antigas que lhe conta a tia, falam dos mundos, que há no mundo da sua terra.
Em “quê” de nós a tradição nos toca?
No lugar de sermos gente.




(Da terra e do pão)

Revira – Envolve e bate
Quinchoso – Pequeno quintal à volta da casa
Bibo - Gado (bovino e caprino)
Bola – Pão pequeno de centeio e trigo, espalmado
Masseira – Caixa de madeira, com as paredes inclinadas, onde se amassa o pão
Caldeiro – Balde de Zinco
Borralho – Carvões em brasa que depois do pão estar cozido, são levados para manter a lareira acesa
Tamancos – Calçado com sola de madeira e de pele de vitela (Abertos a trás)

12 de maio de 2011

Voam no tempo as palavras...

Voam no tempo as palavras,
Como as ameixas vermelhas... lembranças da nossa infância,
Voam os sonhos em busca de outros, como se não houvesse
Um Oceano... e outro... e outro...
Abraço as horas como se readquirisse a vida...
E no céu incendeiam-se cores... como gotas,
Impregnadas de sal... ou estrelas escondidas,
E entre as fendas da chuva,
Abraço "as saudades a dois braços",
A distância mudou-me os muros da ilha,
Como se parte a distância numa janela partida???

Terceira-2006