18 de maio de 2011

Da Terra e do Pão… (Num entender de espanto)!

(O que a Beira me ensinou, a mim, menina da ilha)
A aldeia é onda em movimento, e com este sentimento guardado num bolso fundo, ponho para florir uma rusga de saudade, construindo na alma um ritmo ao Fado Beirão, cresce na tarde um som que a palavra não diz, que a enxada moreja… Capucha posta a modos sobre os ombros, que o trabalho aqui, pede ser-se mulher mais cedo.
É pois assim, a terra, uma giesta florida, um monte de nada e tudo, um cuco cantando p’lo mês de Maio. Cesto ao canto da cozinha, coração concêntrico, que arde por tudo, inflama-se por nada.
E semeia o milho, e rega-o e sacha-o e colhe, carrega a burra p’ra levá-lo ao moinho, e faz o fermento, e amassa a farinha com água e sal, bate e vira. Deixa-o na masseira para fintar, enquanto o homem carrega a lenha e esquenta o forno. Ela acende a lareira, enche o panelo, encosta-o bem; vai ao quinchoso, apanha as couves, prepara o caldo, dá comida ao bibo: “Que vida esta”! E arrasta os tamancos sorrindo um sorriso dorido, e o garoto: ”Oh mãe traga o pão”! Enche o tabuleiro, que as bocas são muitas…
E dá ao garoto as sardinhas num prato, que cobrem uma bola, ás vezes duas, que saindo do forno, entretém a conversa, estendem-se as pernas, aliviam-se os pés, aquece-se o corpo, e saindo o pão, carrega-se o tabuleiro, deixando ao passar, odor de trabalho, e o caldeiro cheio de borralho quente anima o serão, enquanto o menino, se vai aninhando no colo da avó, ouvindo histórias antigas que lhe conta a tia, falam dos mundos, que há no mundo da sua terra.
Em “quê” de nós a tradição nos toca?
No lugar de sermos gente.




(Da terra e do pão)

Revira – Envolve e bate
Quinchoso – Pequeno quintal à volta da casa
Bibo - Gado (bovino e caprino)
Bola – Pão pequeno de centeio e trigo, espalmado
Masseira – Caixa de madeira, com as paredes inclinadas, onde se amassa o pão
Caldeiro – Balde de Zinco
Borralho – Carvões em brasa que depois do pão estar cozido, são levados para manter a lareira acesa
Tamancos – Calçado com sola de madeira e de pele de vitela (Abertos a trás)

12 de maio de 2011

Voam no tempo as palavras...

Voam no tempo as palavras,
Como as ameixas vermelhas... lembranças da nossa infância,
Voam os sonhos em busca de outros, como se não houvesse
Um Oceano... e outro... e outro...
Abraço as horas como se readquirisse a vida...
E no céu incendeiam-se cores... como gotas,
Impregnadas de sal... ou estrelas escondidas,
E entre as fendas da chuva,
Abraço "as saudades a dois braços",
A distância mudou-me os muros da ilha,
Como se parte a distância numa janela partida???

Terceira-2006

6 de maio de 2011

Em que lugar de mim mora a memória...


"Em que lugar de mim, mora a memória?"
Na margem dobrada das lembranças, desdobra-se em lentidão, a folha contada de histórias, da história que a vida tem!
E a vida que é só história... ou conto... ou lenda... ou memória, fica viva, ou fica morta... ou perto, ou ali, ou remota!
Mas é ponto, encontro... ou desencontro, da história que contém histórias,
Das coisas que recordadas, ficam sorriso... ou ficam lágrima...
Ou sombra que no peito assombre!
História a desembrulhar, numa hora... com ou sem nome...
Mas que nos conte... e nos conte... e nos conte!  

1 de maio de 2011

Da vida e do cheiro das palavras...


“Pensamentos p'la noite dentro... da vida e do cheiro das palavras...”

É no centro do olhar, que se escrevem as palavras guardadoras de silêncios... a sombra do sol, na curva da alma...
Os avisos do vento escondendo sentires, que se baralham nas minhas mãos...
Nas palavras ainda há sonhos que não se querem contados... separados entrelinhas...
E sou um pouco como o meu gato, escuto as palavras da noite, para desafiar a lua...
Tenho uma palavra pousada no peito, como gomo d'água guardada, para ser ave que de repente chegasse e se soltasse no azul, ou no amarelo dos trigos...
E então, as palavras, são como peixes, hábeis, e decido o lugar por onde navegá-las!
E por amor desenho uma linha torta... e nela lembro-te, nos intervalos de te lembrar!
Uma palavra que tenha sol, para que brilhe nos teus dias... e noites! :-)
Ás vezes há dias que não são quinze, mas que quinze podem ser, basta que se queira!

30 de abril de 2011

Para vós... Amigos

30 de Abril de 2011
Com granizo aqui... chuva acolá...
Sol medroso... manhã sombria...
Nuvens grossas cor de chumbo...
("Qué feito da primavera, heim, sinhô S.Pedro? Tá caçoando c'a galera!)
Bom! Mesmo assim. " Bom Fim de semana a todos", divirtam-se...
Vistam uma roupinha velha e "ide passear à chuva...
Devagar... saboreando... depois um duche quentinho e o "Stress” foi-se!
:-)) Abraço!
E se não comemoraram ontem o Dia Mundial da Dança, façam-no hoje...
Deêm uns passitos de valsa, enquanto passeiam!...
(... And singing in the rain, also... )!

28 de abril de 2011

Da vida e do cheiro das palavras...

“Pensamentos p'la noite dentro...
Da vida e do cheiro das palavras... ”
É no centro do olhar, que se escrevem as palavras guardadoras de silêncios...
A sombra do sol, na curva da alma...
Os avisos do vento escondendo sentires, que se baralham nas minhas mãos...
Nas palavras ainda há sonhos que não se querem contados... separados entrelinhas...
E sou um pouco como o meu gato, escuto as palavras da noite, para desafiar a lua...
Tenho uma palavra pousada no peito, como gomo d'água guardada,
Para ser ave que de repente chegasse e se soltasse no azul, ou no amarelo dos trigos...
E então, as palavras, são como peixes, hábeis, e decido o lugar por onde navegá-las!
E por amor desenho uma linha torta... e nela lembro-te, nos intervalos de te lembrar!
Uma palavra que tenha sol, para que brilhe nos teus dias... e noites!  :-)
Ás vezes há dias que não são quinze, mas que quinze podem ser, basta que se queira!

27 de abril de 2011

Não é que não existam sonhos...

Não é que... não existam sonhos,
O que existe, são "corações vazios"...
E sou eu que passeio pelas tardes.
O meu cachorro Fiel (da infância)...
Assobio ao meu canário...
E com o coração, cumpro esta "missão, para além da razão"...
O meu pensamento é um sorriso...
Pode cair uma lágrima,
Mas não foi o choro a nossa primeira voz?
E a minha alma, mora segura, no meio da Primavera,
Numa estrela cheia de vento!
(Por desgraça, não tenho para dar, mais que as digitais palavras que são passadeiras ou travessias de sortilégios e encantamentos...
E o que mais este meu viajante coração encontrar...)
Abraços!

23 de abril de 2011

"Sabor A Páscoa"

Estava a pensar que é Sábado de Aleluia...
Estava aqui a pensar que é quase... quase Páscoa...
Um "bom sabor Pascal", com tudo aquilo que isso possa significar para vós...
Aos meus amigos "viajantes" deste lugar...
Um abraço amigo!
Mas como não possuo as palavras certas para dizer tudo...
Encontrei um sorriso e um pensamento "por vós",
Envio-vos, para que se "salvem" e iluminem o vosso dia,
E um olhar de quem tem muito cuidado com as emoções !
(Uma palavra amiga e mil amêndoas doces... coloridas)  :-)

16 de abril de 2011

A Mosca... A Asa


A asa da mosca, a mosca e asa,
Que bate e pousa, zumbe e te enoja…
É a asa que voa,
Que te irrita, incomoda!
Um “baque” a mata…
É a asa que bem no fundo te faz falta!
Não por ser mosca,
Mas por ser asa…
Que o pensamento se embaraça,
E o coração só de asa se abrasa!

O Tempo


O tempo sem tempo,
Que ignora o tempo do pensamento
Que o tempo tem,
O tempo que não te dá tempo,
Nem tréguas… nem pausas
Nem uma luz… um filamento,
Que toca e segue
E te leva o momento!
O tempo e o pensamento,
Do encantamento que a vida contém (ou não)! Mas porém?!
O tempo que pára e não pára…
Que detém e não detém,
O tempo que nos trata e não basta,
É o tempo em contra tempo,
Entre o estar e o partir,
Entremeado de esperança
Que é tão só temperança,
Bonança… ou quimera,
De um tempo de entreter…
Um sopro do verbo esquecer,
Soletrando a palavra viver!