10 de fevereiro de 2011
O afastar das palavras...
(Como dizer ao meu ser, que as palavras se afastem…?)
Na lonjura do pensamento, gastei o tamanho das noites, que dos sonhos tinham asas, e de cinzas se despiam...
E nessas noites morri...
Dos pensamentos nasci, com passos de nevoeiro!
Amanheci como um pássaro, e habito "neste retrato", que tem a história de não ter história nenhuma (já li isto em qualquer lado?)
E fico com este mar...
Ruidoso, ou manso...
E o mormaço do ar, dentro de mim a pairar...!
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Palavras
9 de fevereiro de 2011
A cor das palavras
"Sentires ao acaso a oeste do sentir"
(A quem gostar de "palavras com sabor...")
Imperfeita madrugada, azulada, ensombrada...
Nos meus olhos... rasos... bravos, de canto, encanto... assombrados
De prantos, ensolarados,
Desenhando na partida
Este meu cais de fugida
De segredos e silêncios, descendo p'la minha mão
Longos dedos... ou solidão
Entrando neste "meu muro"
Onde desenho no escuro
Onde começa o teu nome... Que murmuro, que murmuro!
15 de outubro de 2010
21 de agosto de 2010
“Bichos e Animais… e outras coisas que tais…”
O que vos vou deixar hoje, não é história que se conta para fazer passar o tempo, mas é história que monta a tempos que não tem tempo…
Vi chegar certo cachorro, já lá vão uns 15 anos,
Trazido p’las mãos de um menino…
Ruivo de pelo lustroso,
Orelhas de ondular, caracóis a dar a dar,
Cabeça larga, com porte
E no peito, a esvoaçar,
Assim em jeito de juba,
Branca e dourada, bem peluda,
Pelagem esvoaçante,
Num andar bamboleante,
Olhar doce, esperto,
Põe a cabeça de lado,
Escuta com atenção…
Meigo… trôpego, trapalhão!
Dá a pata e rebola,
Da três saltos pela bola,
Salta nas patas da frente,
Com tal graça e picardia,
Que me faz sempre lembrar,
“Cavalos de cortesia”
Toma banho tão quieto,
“cabisbaixo”… obediente,
Mesmo batendo o dente!
Depois: toalha no chão,
E basta somente dizer:
“limpa e esfrega!”
Que o inteligente animal,
Corre o páteo em vendaval,
Tronco envolto na toalha,
Patas de trás a empurrar
Limpo e seco assim sozinho,
Fica o cachorro “a brilhar”!
Não se queixa nem lastima,
Teve uma vida de cão,
E agora “de cão”, boa vida!
Não culpa, não rosna, não cobra…
Em olhos de agradecer
Recebe-me sempre contente
E só feliz por me ver,
Anda á minha volta, rebola
Toca-me com uma das patas,
E faz-me sempre pensar:
Que se mais gente houvera
Com comportamento tal,
Assim belo, incondicional,
Por certo a humanidade,
Seria “bem mais normal” (?!)
Quem me recebe sem perguntas?
Quem me acarinha sem esperas?
A quem ralho e digo:
Pára Alex, tu maças!
E em troca recebo “graças”!
E tudo isto porquê?
Uns pensam, outros dirão…
Quanto a mim:
Quanto mais conheço “gente”,
Quanto mais conheço “gente”,
Mais gosto deste meu cão!
A este “velho companheiro”, que adoptou a família inteira!
Mi, Manel e Mizé
19 de agosto de 2010
"Confabulando"...
..."Felicidade" é um fruto que se colhe da "Felicidade" que se semeia...!
...Lança "boatos e injúrias", ao cesto do esquecimento... Uma moradia claramente limpa, reclama a presença do "esgoto"...
...Não percas o tesouro das horas... e constrói por dentro do teu próprio ser, o abrigo do entendimento que solicitas, para sentires segurança, e irradiá-la de ti!
Aceita e estima as pessoas, como são, não exijas que elas se "façam" ao teu jeito...!
...Haja o que houver, transmite confiança e "bom-ânimo", porque, alegria, é talvez a única dádiva que és capaz de ofertar sem possuir...
...As nossas palavras podem ser, "pancadas ou afagos", e é o uso dessa força que equilibra, ou desequilibra, o que em nós se obscurece ou ilumina, nos ergue, ou nos abate...!
14 de agosto de 2010
O lugar do coração
Hoje passei por aqui, não para "construir" palavras...
As que eu quero dizer hoje, são as que o coração planta e semeia...
Hoje passei aqui para dizer que amanhã é quinze de Agosto...
Para ti, que acaricias as palavras, recebo-as, uma a uma, e que ás vezes me ficam por dizer, mas que nelas escreves, estou aqui, podia chamar-lhes vida...
Mas chamam-se, amor simplesmente!
Ao meu companheiro, por ver comigo as árvores florir, o vento que as despenteia, o sol que as torna sombra, por tudo, em cada dia novamente, num abrir e fechar de olhos, onde tudo é diferente.
Para ti, silêncios, perfis de lagos, cetins, sedas, afagos.
Longuíssimos são os braços dos abraços, que teus olhos fazem laços.
Da tua doçura, faço um canto que adormece, ou palavra que entontece!
Que a vida nos seja doce!
Nas coisas que "nos abalam", e no par de olhos que esvoaçam por nós, pintando a vida... com cor de romã... (Um beijo parado na tua memória, penteio uma flor, num jeito de quem escreve uma carta de amor ) ( ) :-)
As manhãs abrem mil sentires...
Que os teus gestos vão tecendo...
Coisas de ave, que crescem pelo lado de dentro de nós...
Levanto da alma palavras de aves e amoras, e dou-te o nome de um astro...
De me iluminar por dentro...
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Coração
11 de julho de 2010
Palavras
Há palavras "certas" para poesia?
Toda a palavra é poética...
Não há palavras "feias" e "bonitas" na poesia...
Não há mais que palavras vivas e palavras mortas, palavras verdadeiras, ou palavras falsas.
O que importa é que se construa uma harmonia perfeita entre a inspiração, por um lado, e a expressão, por outro...
E no nascimento delas ter o nascer de uma ave...
Uma lágrima ajoelhada...
Um coração aveludado...!
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Palavras
Serão "coisas" que o sol faz sentir?
... Sorvedora de silêncios e sentires...
Se não fosse assim, já não era eu...
Fiquei nesta dimensão...
Percorro a vida sem pertenças...
Restam-me as palavras, para pensar nisso...!
Esta fresta de mim aberta nos dias...
É um labirinto!
Quem me dá um pássaro de vento...
E cante comigo...
Os olhos que tudo abraçam, no peito a que tudo falta...!
Que coisa esta de por vezes se estar cheia de vazio!
2 de junho de 2010
Dias de meditar
As mãos esquecidas, no sossego brando da vida, numa paz sem tormento, que põe nos olhos o fulgor que os nomes e os livros não dizem.
Ando a ver se não perco a emoção que retempera, o consolo que devolve a luz à voz.
O cansaço que avassala o espírito não tolhe a inspiração, mas interrompe o sonho…
Ergo as palavras no silêncio das mãos.
E fecho-me nelas pelo lado de dentro,
Com as chaves de um entendimento brando,
As palavras tem assim luz própria, como uma estrela,
Ou uma comunhão de pétalas…
Quando os cântaros do céu se entornam e as aves tentam roçar a lua
Habito do lado dos que misturam
As nervuras com cetins, e assim as fazem rimar
Numa magia profunda… densa,
Que aglutino e condenso em mim…
Janelas por dentro se abrem,
Brilham e nascem as letras…
Dançam… Pensam…
Tornam-se o reino das coisas,
Onde tudo vem por dentro
Dum lugar varrido… limpo.
E emerge, cresce subindo
No caule do fio do pensamento,
Esta minha moradia,
Na pura e simples nudez
Com que se veste o coração
É assim, encostada á vida.
A minha morada de hora imprecisa
Perde-se em sonhos, inventados da mente
Trazendo-me á boca raras palavras
De que raro falo,
Porque ser-se assim é por dentro!
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