11 de julho de 2010

Palavras


Há palavras "certas" para poesia?

Toda a palavra é poética...

Não há palavras "feias" e "bonitas" na poesia...


Não há mais que palavras vivas e palavras mortas, palavras verdadeiras, ou palavras falsas.

O que importa é que se construa uma harmonia perfeita entre a inspiração, por um lado, e a expressão, por outro...

E no nascimento delas ter o nascer de uma ave...

Uma lágrima ajoelhada...

Um coração aveludado...!

Serão "coisas" que o sol faz sentir?


... Sorvedora de silêncios e sentires...

Se não fosse assim, já não era eu...

Fiquei nesta dimensão...

Percorro a vida sem pertenças...

Restam-me as palavras, para pensar nisso...!

Esta fresta de mim aberta nos dias...

É um labirinto!

Quem me dá um pássaro de vento...

E cante comigo...

Os olhos que tudo abraçam, no peito a que tudo falta...!

Que coisa esta de por vezes se estar cheia de vazio!



http://docecomoachuva.blogspot.com/

2 de junho de 2010

Dias de meditar

  
As mãos esquecidas, no sossego brando da vida, numa paz sem tormento, que põe nos olhos o fulgor que os nomes e os livros não dizem.

Ando a ver se não perco a emoção que retempera, o consolo que devolve a luz à voz.

O cansaço que avassala o espírito não tolhe a inspiração, mas interrompe o sonho…

Ergo as palavras no silêncio das mãos.

E fecho-me nelas pelo lado de dentro,

Com as chaves de um entendimento brando,

As palavras tem assim luz própria, como uma estrela,

Ou uma comunhão de pétalas…


Quando os cântaros do céu se entornam e as aves tentam roçar a lua

 
Habito do lado dos que misturam
As nervuras com cetins, e assim as fazem rimar
Numa magia profunda… densa,
Que aglutino e condenso em mim…
Janelas por dentro se abrem,
Brilham e nascem as letras…
Dançam… Pensam…
Tornam-se o reino das coisas,
Onde tudo vem por dentro
Dum lugar varrido… limpo.
E emerge, cresce subindo
No caule do fio do pensamento,
Esta minha moradia,
Na pura e simples nudez
Com que se veste o coração
É assim, encostada á vida.
A minha morada de hora imprecisa
Perde-se em sonhos, inventados da mente
Trazendo-me á boca raras palavras
De que raro falo,
Porque ser-se assim é por dentro!

31 de maio de 2010

Raizes de mim!

Se a saudade fosse coisa...
e não fosse coisa bela,
sem ser coisa percebida, seria assim, de tão bela?
Na memória, molha-me a história,
ficando eu maresia,
longos braços... dedos d'água...
toque de verde... pasto... trigo...
mar chão, lua clara,
desfeita espuma na areia,
ao lado de mim poisada,
esta ilha... a vida inteira!
Apoderou-se de mim,
em água de sal marcada,
por detrás do meu olhar, tocada de leve... intocável,
minh'alma de marear...
Terra... ilha, meu torrão...
meu berço, casa, guarida...
minha marca a ferro, fogo gravada,
ontem, hoje... muitos dias,
Toda a vida!


28 de maio de 2010


E pertenço á ilha... sinto o perfume dos tons... os cheiros do ar...
Sei que as ondas tem o linguajar dos países... escuto a conversa dos búzios... o silêncio táctil das conchas...
Não procuro a razão desta pertença, quero só o feitiço de pertencer-lhe!

Confabulando

Ó minha vida entornada... meus olhos de marear... meu coração sobre o mar!
Quero ser pássaro no verde, num sono que em ilha me afogue... consciente e repousada... leve, lisa... asa pousada... onda leve sobre a água...
Circulando em maré-cheia... segredos urdidos na veia...!

Hoje estou cansada de pendurar estrelas no céu... vou tecer uma teia de silêncio com gotas de azul e mar... e encontrar o lugar d'o sossego não ter fim...
Quem derramou no chão a voz de "ser poeta", do pouco que há em mim?!...


quaseinteressante.blogspot.com

21 de março de 2010

Janelas de sonhos



 (Surgiram-me estas palavras ao ver as janelas sonhadas de Silvina Santos)


Nas suas mãos nascem teias,
Nascem cores, nascem laços e janelas,
Nascem frutos com sabores,
Emoldurados com sonhos,
De sonhos emolduradas,
Nascem aves, flores, rios,
Balões, baloiços e risos,
Sóis, borboletas, crianças.
Que vem vindo, chegam, espreitam,
E encantadas se sentam,
No teu banco de xadrez,
A imaginação ganha asas
Torna os sonhos em palavras
De histórias emolduradas,
Nascem casas, rostos, lembranças,
Porque nos seus olhos se espraia
A magia das crianças!
Vejo-a assim a criar coisas,
Assim como num pedaço de horta,
Onde por mãos de doçura,
Tudo brota! Tudo brota!
 

Poesia na EB2-3 de VNP

Só um cheirinho...

Saudade
A saudade é cinzenta,
É amarga,
Cheira a fumo,
É muito fria,
Tem o som da chuva,
O movimento dos lenços,
É pesada e faz-me sentir triste!

(Nuno 6ºA)

http://creardigital2.blogspot.com/2010/03/janela-dos-sonhos.html

"Calema" no dia da poesia...


Obrigada pelo que nos deixaste para saborear.

http://jcalema.blogspot.com/2010/03/dia-da-poesia.html